Receitas para você se reconectar com a sua essência

Reportagem: Juliana Franqueira / Fotos: Luciano Lucky

Viver de forma equilibrada e plena integrando os diferentes níveis do corpo (físico, mental, emocional e espiritual) através da reconexão consigo mesmo. Se esta é a sua busca, você vai se identificar com a proposta de Simone Las Casas (Si With You), Paulinha Oliveira e Teca Toscano (Wings Evolução Plena) que uniram forças em um encontro mais que especial.

Num bater de asas, Paulinha e Teca decolaram de São Paulo para aterrissar em Belo Horizonte e se reconectarem com suas raízes. Sim, ambas são mineiras e chegam à “Beagá” com o objetivo de semear, por essas bandas, frutos que já cultivam há quase um ano em Sampa. “Enquanto a gente está preso à alguma limitação, à alguma dor do passado, a gente não fica livre pra viver o agora, então é muito emocionante e gratificante poder honrar nossas raízes”, completa Teca. “Pra gente ter asas, é preciso ter raízes fortes”, explica Paulinha.

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A mistura

A ideia de unir forças e ampliar o movimento Wings Evolução Plena veio de um instinto que acompanha Teca desde pequena. “Eu ouvi a vida inteira minha mãe dizendo ‘a união faz a força’, e foi isso, nós falamos, vamos nos unir e vamos levar isso para o mundo. Nosso objetivo não é criar seguidores, é criar multiplicadores. Foi com esse intuito de expandir a luz e despertar a consciência que a gente se uniu à Si pra compartilhar isso tudo. Ela que é referência em Beagá de yoga, de conhecimento e bem-estar”, diz Teca.

O evento “Integrando Teoria e Prática” que reuniu no Espaço Alecrim, no bairro São Bento, mais de vinte participantes, trouxe uma mistura energizante de ingredientes, desde as atividades realizadas até as comidas do café da manhã. E é isso, podemos pensar nossa vida e nossa busca diária rumo à essa reconexão com nós mesmos como uma receita, sim. Somos o que comemos não é mesmo? Desde o que ingerimos via sistema digestivo, até o que absorvemos mental e emocionalmente via sistema energético (chakras e naddis). A escolha de ingredientes é livre e o resultado fica a cargo das misturas que fazemos. Esse encontro despertou em mim uma curiosidade. Quais ingredientes as pessoas utilizam para se reconectarem com o seu Eu verdadeiro?

Receitas 

Bem, o evento trouxe algumas opções. A começar pela aula de Yoga Dance com Si Las Casas: “O Yoga Dance é a união entre a consciência do yoga e a liberdade e expressão da dança”. A aula percorreu os sete principais chakras fazendo a conexão entre todos os níveis do corpo, já citados, e os elementos (terra, água, ar e fogo) que regem cada um desses centros de energia. Uma aula que fez todo mundo suar e mergulhar, de alguma forma, em sua própria essência.

No desenrolar da manhã, Paulinha envolveu a todos com sua doçura trazendo mais um ingrediente importante para esta receita: “Olhe nos olhos das pessoas e diga mentalmente: eu te amo.” Pode parecer uma dica superficial, mas não se engane, o resultado é profundo e muito emocionante. O despertar desse amor abriu caminho para um bate papo sobre o projeto Wings Evolução Plena que deu tempero à mistura. Fernanda Dayrell Silvestre, professora de yoga, usa não só a prática física do Yoga para se reconectar, mas também os exercícios respiratórios que considera muito importantes. Marina Alvim de Souza, grávida de seis meses, também usa o yoga, mas acrescenta a meditação na sua receita de reconexão consigo mesma e agora com o bebê.

Fernanda Mann, jornalista, bióloga e modelo que emprestou ao encontro sua beleza e Atitude Positiva (nome de seu programa na Rádio Band), usa vários ingredientes. “O principal é cultivar atitudes orgânicas com o universo por meio da meditação, da prática esportiva, entrando em contato com a natureza e com os nossos sentidos, explica.  Já a psiquiatra e hipnoterapeuta, especialista em psicologia positiva e mindfulness, Sofhia Bauer que também abrilhantou o evento, destaca a respiração. “Tudo que tem, em exercício e prática, a respiração faz com que você se volte pra dentro porque é exatamente o mecanismo de frear o sistema simpático. Ao inspirar você se entrega à Deus, e à conexão com o seu corpo. Junta pulmão, coração, mente e espírito. Quando nós inspiramos ou respiramos calmamente seja na prática do yoga, na meditação, numa oração ou contemplação, nós nos reconectamos com o momento presente. Quem está no presente está de verdade vivo. Então, a minha dica é respire (conscientemente) que você se reconecta com o momento presente que faz o homem se tornar mais generoso, mais bondoso e mais amoroso”.

O indiano Dhyan Nirav, único homem a participar do evento, usa o silêncio e a observação como ingredientes de reconexão. Larissa Drumond, também usa o silêncio, mas vai além em sua receita. “Eu aprendi muito com as meninas da Evolução Plena. Eu me conecto com Deus através de orações e louvores e junto com isso, eu aprendi a meditar e isso me deixa mais próxima de mim. Eu volto ao meu estado de equilíbrio”.  Taliene Speer, que acaba de se formar como professora de yoga, diz ater-se aos detalhes do dia-a-dia, à contemplação e desabafa: “Eu aprendi a deixar aquela essência do interior do coração aflorar, sem me preocupar com o que as pessoas pensam, eu vivo realmente aquilo que faz meu coração bater”.

Renata Mascarenhas, em um depoimento emocionante, contou ao Motivoação que depois de diagnosticada com lúpus (doença inflamatória crônica do tecido conjuntivo) e após uma forte crise que a deixou deprimida, começou a fazer tratamentos alternativos em comum acordo com seu médico. “Eu fiz reiki, acupuntura, homeopatia, meditação transcendental e até um curso de thetahealing (técnica de cura energética) e foi aí que eu vi o tanto de crenças negativas que eu tinha a meu respeito”. Renata também passou a fazer atividade física e a beber muita água e quando voltou ao médico, este lhe disse que não sabia o que ela tinha feito, mas sua condição de saúde tinha melhorado, tanto no exame de sangue quanto clinicamente. “Com isso, eu criei o hábito de observar meu comportamento e hoje eu já consigo perceber minhas emoções. Quando são negativas, eu começo a afirmar o inverso e esta atitude está sendo fantástica. Como fala a programação neurolinguística, tudo deve ser afirmativo e no presente e esta atitude está sendo absurdamente potente no meu processo”, desabafa.

Paulinha se reconecta consigo mesmo por meio de práticas variadas, mas tem uma que diz ajudar muito: “Olhar nos olhos. Eu sinto que estou perdendo a minha presença quando eu não olho nos olhos das pessoas. O olhar me conecta, é um espelho, eu me vejo nos olhos do outro.” E tem mais ingredientes na sua receita, inclusive uma dica de ouro: “Todos devemos buscar a liberdade de ser quem somos. E o que isso quer dizer? Devemos tirar tudo o que não nos representa e deixar só o que realmente somos. Enquanto eu não encontro isso, eu não paro, eu busco. A gente não pode perder essa cede de querer conexão. Quando você encontra esse lugar, tudo flui, tudo fica mais leve, mais divertido. É uma frequência muito elevada”, finaliza.

Ter acesso a esses e tantos outros ingredientes facilita muito na hora de fazermos nossa própria receita e entender se precisamos incrementá-la ou simplifica-la. Se nos esforçarmos, veremos exatamente o que escreveu o sábio indiano Patanjali, no livro dos Sutras do Yoga: “O seu Eu verdadeiro é sempre o mesmo, mas parece distorcido ou misturado com a mente. Com a mente clara e pura, você sente que voltou ou parece ter voltado ao seu estado original.” Enfim, o caminho é livre e cabe a nós escolher qual ingrediente compõe melhor o cardápio do dia. A escolha certa pode trazer os “nutrientes” que precisamos naquele momento para equilibrar nossas energias e nos reconectar com a nossa essência. Como escreveu a professora e estudiosa de dança Gabrielle Roth em seu livro “Os ritmos da alma”: “Se você quer dar à luz o seu verdadeiro Eu, precisa escavar bem fundo nesse seu corpo e deixar a sua alma berrar.” Que tal nos unirmos nessa busca?

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